17 fevereiro 2015
Erupção vulcânica no fim desde 8 de Fevereiro
![]() |
| Cone eruptivo no dia 9 de Fevereiro às 13h. Fonte: UNICV |
Segundo dados divulgados pela Universidade de Cabo Verde, o processo eruptivo terminou a 8 de Fevereiro último.
Pode ler o relatório aqui.
São boas notícias para Todos Nós!
Etiquetas:
erupção,
Fogo,
universidade de Cabo Verde,
vulcão
18 janeiro 2015
O vulcão do Fogo
A principal estrutura vulcânica da ilha do Fogo é o vulcão Monte
Amarelo, que constitui a própria ilha; formado por camadas de lavas e
piroclastos, é um caso típico de estratovulcão. A cratera - 100 a 200 m de
profundidade e 500 m de diâmetro -, domina a paisagem e constitui um conjunto natural
espectacular formado pelo vulcão, a Chã e a Caldeira. No Pico do Fogo não se
regista actividade eruptiva desde o final do séc. XVIII.
…até
ao século XX
Desde o início do povoamento – séc. XV
– até 1995 registaram-se mais de 20 erupções na Chão das Caldeiras, as últimas
das quais em cones adventícios, situados na Chã e formados na base do vulcão
principal (pico); pelos cones sairam os produtos vulcânicos como lavas e
piroclastos.
Eleva-se em forma de cone, com arribas abruptas no contorno
litoral, apenas com duas fajãs: Casinha-Bombardeiro e Mosteiros. Dezenas de
cones adventícios estão dispostos em torno de cone principal., muitos deles
estão hoje cobertos de vegetação e trabalhados em socalcos.
O Vulcão da Fogo parece ter estado activo desde o povoamento até
meados do séc. XVIII. Há notícia de erupções em 1500, 1564, 1596, 1604, 1664,
1721-25, 1761 e 1769. A sua actividade posterior tornou-se mais intermitente,
registando-se curtos períodos efusivos nos anos de 1785 – ano em que foi
observada pela primeira vez por um naturalista, João da Silva Feijó; 1799,1816,
1847, 1851, 1852 (neste ano o governador Fortunato José Barreiros deslocou-se
ao Fogo para ver a erupção), 1857 e 1951.
Em 1847, a erupção destruiu muita terra arável, mas não houve
vítimas humanas. A lava cobriu a costa ao longo de 2 a 3 milhas, em direcção ao
mar, conta John Rendall. Só em 1870, o primeiro europeu desceu à cratera do
pico mais alto do Fogo - foi Guilherme Augusto de Brito Capelo (1839-1926), que
acompanhava uma expedição francesa à ilha.
1951 e 1995
Teixeira
de Sousa, em Ilhéu de Contenda, descreve a erupção de
1951:
«A terra tremeu forte. Logo
por trás da serra vimos rolos de fumo subindo. Gritaria, correria, desmaios, a
população de S. Filipe entrou em pânico. Sobre a cidade começou a chover uma
poeira negra como azeviche. Em minutos ficaram as ruas, os telhados, cobertos
desse pó negro. Parecia uma cidade de luto.»
A erupção iniciou-se a 12 de Junho, onde se formam os cones do
Monte Orlando - designação dada para homenagear Orlando Ribeiro - e Monte Rendall, assim chamado em memória do Administrador do Concelho à data: Luís Silva Rendall. A lava escorreu em vários braços, destruindo por
exemplo a povoação de Cova Matinho e os terrenos de cultura.
A 2 de Abril de 1995, ocorreu a última erupção do século XX, precedida de
sismos nos 5 dias anteriores. As cinzas cobriram cerca de 88 km2 e o cone e a
lava ocuparam cerca de 4,7 km2.
«Observaram-se fortes
explosões de gás e geraram-se fontes de lava com mais de 400 metros de altura.
Bombas vulcânicas plásticas, de dimensões até 4 metros, atingiram distâncias de
250 metros a partir da fissura principal, com cerca de 2 km de comprimento. Uns
espessa coluna eruptiva atingiu, nesta fase, uma altura da ordem dos 500
metros.(…) A actividade vulcânica terminal foi de estilo estromboliano, menos
intensa e acompanhada por importantes emissões fumarólicas.», que se
mantiveram até Outubro de 1996.
2014-2015
Acompanhe aqui a evolução da actividade vulcânica.
Etiquetas:
erupção,
Fogo,
Monte Amarelo,
Orlando Ribeiro,
vulcão
«Homi grandi» em erupção desde 23.11.2014
Com esta primeira notícia de 23 de Novembro, fomos surpreendidos pelo Homi Grandi: uma chuva de areia e o cheiro a queimado atingiam a cidade de S. Filipe.
A erupção começou cerca das 10h da manhã, mas a actividade sísmica tinha já sido identificada antes. É a 27.ª erupção desde 1500.
A anterior erupção teve início a 2 de Abril de 1995 e foi a segunda do século XX; a primeira ocorreu em 1951. Em 1995, desapareceram uma aldeia, campos de cultivo e diversas infraestruturas; foi, à data, criado um conjunto de casas para acolhimento de desalojados que receberam as da actual erupção (ainda em curso).
Bruno Faria, do Instituto Nacional de Meteorologia e
Geofísica (INMG) de Cabo Verde, afirmava a semelhança com a erupção de 1951,
bem como o facto do nível de actividade ter passado de 1 para 3 de um dia para
o outro. O risco eminente de erupção já tinha sido assinalado pelo INMG na
véspera, pois a actividade vulcânica tinha-se intensificado nos dias
anteriores. Às 12h00 de dia 23, já se falava de nível 5. As ligações aéreas foram canceladas, e só a 9 de Janeiro se reiniciaram.
Entre os dias 24 e 25 de Novembro, a sede do Parque Natural do Fogo é devorada pela lava. Obra de grande envergadura arquitectónica, financiada pela cooperação alemã - que exigiu a construção perto do vulcão - não resistiu à natureza que homenageava.
No dia 27 de Novembro, a situação em Chã das Caldeiras é considerada uma «catástrofe», pelo Primeiro-Ministro.
A cronologia da erupção e respectivo quadro de destruição está aqui descrita de forma sucinta.
Poupando vidas humanas, à medida que as lavas aumentam de velocidade, destroem - em Chã das Caldeiras, Portela e Bangaeira - habitações, a escola, o posto de saúde, o Hotel Pedra Brabo, a Pensão Marisa, o posto policial, a delegação municipal, vias de acesso, igrejas, campos de cultivo e a adega de Chã.
A população aproveita o abrandamento da actividade vulcânica para recolher produção agrícola - como feijão e café - , quer na Portela, quer em Dje de Lorna.
As operações de apoio à população e salvaguarda de bens decorreram com meios nacionais e internacionais - caso da Fragata Álvares Cabral, portuguesa, que chegou à ilha a 4 de Dezembro -, bem como com a solidariedade local.
A população de Chã das Caldeiras foi evacuada.
O Observatório Vulcanológico da Universidade de Cabo Verde faz uma análise do primeiro mês de erupção: foram libertadas para a atmosfera mais de 220 mil toneladas de dióxido de enxofre. A equipa de vulcanólogos de Cabo Verde trabalha com outros peritos de Portugal e das Canárias e está a monitorizar a situação.
O geólogo
Alberto da Mota Gomes analisa a situação à distância e compara os meios disponíveis no país entre 1995 e 2014.
Jorge
Carlos Fonseca, Presidente da República, de visita a Fogo, considera
prioritário pensar a fase
pós-erupção, e considera indispensável que as populações deslocadas façam
parte do processo de procura de soluções e saídas para a economia da região.
Várias
campanhas de solidariedade, com a população das áreas afectadas pela erupção
vulcânica, decorrem quer nos territórios americanos da Diáspora, quer em
Portugal - casos, por exemplos dos municípios
de Palmela e Ourém - e
noutros países.
10 julho 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)




